segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Amor incompreensível

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". Ao revelar o amor incomparável de Deus pela humanidade, João 3:16 nos leva a uma conclusão óbvia: jamais seríamos capazes de fazer o mesmo.

Dar o próprio filho para salvar outras pessoas? Pior: sacrificar o filho único para livrar do fim merecido um bando de miseráveis, ladrões, mentirosos, orgulhosos, assassinos, prostitutos, adúlteros, idólatras, egoístas, fornicadores?

Quem seria capaz de fazer algo semelhante?

Qualquer um de nós, se quiséssemos salvar alguém, com certeza, trilharíamos outro caminho, imaginaríamos uma outra saída, pensaríamos em outras possibilidades. No entanto, nunca sacrificaríamos o nosso próprio filho...

Por Jesus, como fruto da vontade soberana de seu Pai, ter pago um preço tão alto para redimir a humanidade, imersa no pecado e na morte, jamais entenderemos a profundidade e a intensidade do amor de Deus por cada um de nós.

E isso fica ainda mais claro quando experimentamos a paternidade. Ao olhar para minha filha, que renova todos os dias no meu coração um amor inigualável (e que só faz crescer), a decisão de Deus se torna ainda mais incompressível.

Todo pai tem um pavor congênito: ver seu filho sofrer, passar por eventuais percalços ou, até mesmo, derramar algumas lágrimas (mesmo que, às vezes, elas sejam nitidamente teatrais).

Está no DNA de pais e mães o desejo de que seus filhos sejam os seres mais felizes de todo o universo. Outro dia, num arroubo de loucura paternal, me peguei sofrendo por imaginar (não riam) minha filha deprimida por causa de algum amor juvenil não correspondido. Detalhe: ela só tem dois anos e meio.

Colocando os desatinos de lado, faz parte da nossa experiência como pais degustarmos o sofrimento. Mesmo que seja por um sofrimento que ainda não chegou. É da nossa gênese antevê-lo.

Por conta dos nossos medos, não há nada mais sublime e tranquilizador do que ver nossos filhos dormirem. Um pouco porque naquele momento eles não estão dando trabalho (confesso), mas, principalmente, porque ali, supostamente, estão protegidos das coisas ruins que habitam o mundo exterior.

“Da mesma forma que eu, muitas noites, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua”, diz Vinícius de Moraes no belíssimo “Para Pedro, Meu Filho”.

Por isso e por muito mais, é impossível entendermos o amor de Deus pela humanidade. Muito menos, sua decisão de dar, em sacrifício, seu filho único, que veio a este mundo decaído, viveu sem pecados e pagou por todos os nossos erros.

Que apesar de não ser capaz de perder Amanda para salvar ninguém, eu seja capaz de aprender um pouquinho com esse amor único, sem precedentes na história, e que possibilita, todos os dias, a maior vitória do homem sobre ele mesmo, alicerçada pelo sacrifício perfeito de Jesus na Cruz do Calvário.

7 comentários:

Andréa Machado disse...

Alex, não te conheço. Entrei no seu blog por acaso. E, como vc pode perceber, não parei mais. Achei maravilhoso o seu texto e, principalmente, o amor revelado pela sua filha. Por absoluta curiosidade. Ela é a linda menina da foto? Se for, parabéns redobrado. Ela é um sonho.

Alex Malta Raposo disse...

Obrigado Andréa. Eu também acho. Rs. Amanda (que é mesmo a menina da foto) é um presente de Deus para a minha vida e para a vida da mãe dela, Jeane. A experiência de ser pai é única. Nada pode ser comparado ao amor de um pai ou de uma mãe pelos seus filhos. Por isso, resolvi escrever esse texto, uma vez que esse amor foi expressado da forma mais absurda e incompreensível por Deus ao dar seu filho para nos salvar.

Marinho disse...

Cara, sua filha é linda. Puxou a quem essa criatura? Só pode parecer com a mãe, né? Parabéns pelo texto e um forte abraço.

Roberto Viana disse...

Alex, conheci seu blog através do Caminho Plano. Muito legal. Moro em São Paulo e terei a oportunidade de conhecer seu estado nas próximas férias. Talves em fevereiro ou março. Parabéns pelo blog e pelo texto. Ah...e para não fazer diferente dos outros comentaristas...pela filha também.

Jeane Ralile disse...

É verdade Marinho: Amanda é a cara da mãe! (rss). E é tb um sonho, como bem descreveu Andréa: um sonho de menina e a realização de um sonho nosso de sermos pais.

Através da vida dessa pequena traquina temos descoberto o amor mais lindo, mais puro e mais próximo do de Deus por nós. Tributamos, continuamente, a Ele toda nossa gratidão e louvor por esse presente mavilhoso que Ele nos concedeu.

Liliana Ferraz disse...

Alex, vou virar leitora assídua do seu blog. Estou gostando demais dos textos e vídeos postados. E olha que ainda estou só no começo. Parabéns.

Ide e anunciai disse...

Shalom querido irmão Alex,

Parabens pelo excelente artigo bem como pela sua bela filha que o Deus Eterno os abençoe.

A parceria ja esta feita.

Um forte abraço,
Pb.Silas