terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Eventos que dão apoplexia...

Menino prodígio pregando e fantasiado de pastor. (Tenho vontade de esganar os pais e os líderes que permitem esse tipo de excrescência).

Marcha para Jesus em São Paulo. (Sei que esse “carnaval-gospel-fora-de-hora” acontece em outras cidades, mas nenhum consegue ser tão ruim).

Pastor entrevistando demônio. (Além de considerar desprezível o que um demônio tenha para dizer, acho esse tipo de coisa uma violência contra a dignidade humana).

Evangelista empetecado prometendo prosperidade. (Tais mercadores da esperança povoarão a esfera mais baixa do mundo subterrâneo de Dante).

Profecia em programa de rádio. (O pastor chuta afirmando que algum motorista está triste e que Deus mandou aquele recado. Pateticamente acerta todas).

Conferência missionária que atrela a miséria da Africa à idolatria. (Da mesma forma, as veias do meu pescoço incham quando ouço alguém dizer que os Estados Unidos ficaram ricos porque são “uma nação cristã”).

Testemunho de cura divina em cruzada evangelística. (Que tristeza ouvir velhinha contar que foi curada de caroço, dor nas pernas e de problemas na coluna! Os que têm o dom de cura devem dar plantão na Ala dos Indigentes do Hospital do Câncer ou em clínicas de Hemodiálise).

Sermão entrecortado com línguas estranhas. (Será que as platéias não percebem o exibicionismo?).

Político se convertendo em ano eleitoral. (Que mico; o nojo se mistura com vergonha!)

(Tem muito mais... Aceito sugestões). Título original: Eventos evangélicos que dão apoplexia. Pastor Ricardo Gondim.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A história do improvável

Aprender com um leão. Por essa eu não esperava. Mas o fato é que, como mostra o vídeo, ele foi capaz de colocar seu instinto em segundo lugar para dar lugar a uma bela história de amizade (registrada até em livro). Por que, muitas vezes, nós, tidos como animais racionais, não conseguimos fazer o mesmo caminho?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Usando palavras

“Pregue o Evangelho o tempo todo. Se necessário, use palavras.” A frase acima é comumente atribuída a São Francisco de Assis e usada como um pretexto para o seguinte: “Não é mais necessário pregar, basta viver o Evangelho e as pessoas entenderão quem é Jesus.”

Quero dizer que gosto de São Francisco. Tenho suas obras (Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e testemunhos do primeiro século franciscano), das quais li 1/3, aproximadamente, e sua vida muito me inspira. Um dos meus hinos favoritos é baseado em um cântico escrito por Francisco.

Em segundo lugar, apesar de ser reconhecidamente bem franciscana em seu espírito, tudo indica que a frase acima não é de São Franciso de Assis. Os mais eminentes estudiosos franciscanos pesquisaram todos os seus escritos e as biografias escritas até 200 anos após sua morte e não encontraram nelas tal frase. O mais próximo que chegaram foi a uma instrução que Francisco deu em sua Regra Não-Bulada dizendo que ninguém deveria pregar a menos que tivesse recebido permissão de seu ministro para fazê-lo. E acrescentou: “No entanto, todos os irmãos podem pregar pelas obras.” (RegNB 17.1 e 3)

Entretanto, uma vez que a frase é atribuída a São Francisco e usada para apoiar a atitude de cristãos pós-modernos de não pregar (visto que pregar é antiquado, ofensivo e politicamente incorreto), por que não olhar para a vida de São Francisco e ver se o modo como ele viveu sustenta essa teoria?

A biografia de São Francisco revela que ele foi um fervoroso missionário, viajou centenas de quilômetros para pregar (isso mesmo!) o Evangelho aos italianos, desejou muito alcançar os sarracenos (muçulmanos) chegando a enfrentar um naufrágio (na primeira tentativa de ir até a Síria) e enfermidade (quando se encontrava à caminho do Marrocos). Francisco era um pregador ao ar livre, falando nas feiras públicas, das escadarias das igrejas e das muretas nos pátios dos castelos. O livro St Francis of Assisi and the Conversion of Muslims por Frank Rega, narra o esforço de Francisco para converter Melek el-Khamil, sultão do Egito, durante a Quinta Cruzada (1219). Francisco esperava convertê-lo “não com armas, mas sim com palavras” diz o monge John Michael Talbot em seu livro Lições de São Francisco. Talbot cita Chesterton: “Francisco seguia esta máxima simples: É preferível criar cristãos a destruir muçulmanos.”

O capítulo 16 de sua Regra Não-Bulada trata dos que quiserem “ir para entre os sarracenos e outros infiéis.” Francisco dá a seguinte instrução: “Os irmãos que partirem poderão proceder de duas maneiras espiritualmente com os infiéis: O primeiro modo consiste em abster-se de rixas e disputas…e confessando serem cristãos. O outro modo é anunciarem a palavra de Deus quando o julgarem agradável ao Senhor.” (RegNB 16.6-8)

Não há dúvidas de que São Franciso pregava, de que ele acreditava na necessidade de conversão das pessoas e de que usava palavras para comunicar o Evangelho. De fato, São Francisco gostava tanto de pregar, que ele passou a pregar até mesmo para os pássaros e animais (sim, com palavras!), de acordo com algumas das lendas a seu respeito, surgidas após sua morte (a mais famosa delas é o Fioretti escrito no século 14).

Assim sendo, creio que o sentido da frase não é que não devemos usar palavras. É que, sempre que necessário, devemos usar palavras. E palavras são necessárias quando se trata de explicar a razão de nosso amor, fé e esperança. É simplesmente impossível conhecer Jesus sem a pregação. Como argumentou o apóstolo Paulo: “Como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?

Sem a pregação as pessoas podem até ter uma idéia de que servimos a Deus, mas ficam sem saber quem/como Ele é. Seria esse Deus a natureza ao nosso redor? Seria uma energia cósmica? Uma força impessoal? A frase deveria ser vista mais como uma advertência contra a hipocrisia daqueles que pregam, mas não vivem o que pregam, do que uma instrução para que se pare de pregar e ensinar o Evangelho de maneira clara e verbal.

Para o seguidor de Jesus, pregar e ensinar não são opcionais. São uma ordem. Jesus disse: “Vão e preguem o evangelho a todas as pessoas” e “vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os… ensinando-os a obedecer tudo o eu lhes ordenei.” Se há algo claro nas Escrituras é que obras não salvam. Isso foi denunciado pelos profetas no VT, demonstrado por Jesus e ensinado pelos apóstolos no NT. Boas obras podem ser praticadas em abundância, mas elas não são suficientes para salvação. Qualquer crente fiel ao espírito das Escrituras sabe que não faz obras para ser salvo, mas faz porque foi salvo, faz porque ama Aquele que nos amou primeiro e nos ensinou o amor pelo próximo.

Boas obras feitas em nome de Jesus demonstram amor. Mas as pessoas só saberão que é o amor de Deus que nos constrange se nos dispusermos a falar isso a elas, respondendo a todos os que nos perguntarem a razão de nossa esperança. Caso contrário, elas podem até pensar que foi Kardec, Buda ou Maomé quem nos inspirou a fazer tais obras. Ao mesmo tempo, creio que devemos nos questionar o que há de errado quando, ao viver nossas vidas em devoção profunda por Deus e demonstração de amor pelo próximo com a prática de boas obras, ninguém nunca nos pergunta a razão de nossa esperança, fé e amor. Título original do artigo: "Pregar ou não pregar?".

Viva o Evangelho o tempo todo. Quando lhe perguntarem a razão, use palavras. Reverendo Sandro Baggio

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Uma linda estória de amor.

Uma colega de trabalho enviou o link desse vídeo e, como ele versa sobre o sentimento mais belo que Deus já pôs na terra, resolvi postá-lo. Nesta história, a exemplo do que acontece com Deus, o amor não é o começo e nem o fim. É a essência.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Simplesmente Maria

“Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1: 42). Após ser recebida pela sua prima Isabel com essa linda palavra, Maria faz uma declaração eterna: “a minha alma engrandece ao Senhor, E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lc 1: 46,47).

Não é esse o objetivo deste artigo (farei isso em uma outra ocasião), mas toda vez que leio essa última passagem fico extasiado com a quantidade de coisas que podemos aprender com Maria. Como serva do Senhor, vivendo majoritariamente pela fé, ela deixou ao mundo um legado de amor, confiança e humildade.

Para além da visão equivocada que outros ramos do cristianismo possuem de Maria, para mim (e para todos que conhecem a Bíblia), ela sempre será a mulher mais especial que já existiu. Afinal de contas, coube a Maria, cumprindo um papel escrito por Deus, trazer a este mundo o redentor e salvador da humanidade.

Acho muito triste quando nós, evangélicos, somos acusados, principalmente pelos católicos, de termos rejeitado a figura de Maria. Jamais fizemos isso. Por compreendermos a sua missão histórica e espiritual, sempre a amamos e sempre a amaremos profundamente. A única – e crucial – diferença é que nós não a temos como intercessora, realidade que, se consumada, representaria uma usurpação a um papel que é exclusivamente de Jesus. “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).

Duas belas canções, gravadas recentemente, reforçam essa visão do povo evangélico: “Maria”, interpretada por Fernanda Brum, e “Maria, saibas que”, fruto de um belo dueto entre Cristina Mel e Marcus Salles. Quem quiser ouvir as músicas pode acessar os seguintes links no YouTube: “Maria” e “Maria, saibas que”.

Fernanda Brum
Maria


Era uma mulher sensível
A Deus, serva submissa
Viveu ao Senhor sempre rendida
Bendita entre as mulheres
Exemplo será pra sempre
Bendito é o fruto do seu ventre
Alcançou graça no Senhor
Ela disse em seu coração
Engrandece alma minha
A meu Deus e meu Salvador
Pois sua graça e misericórdia
São de geração em geração
O anjo de Deus lhe disse
Não temas; és escolhida
E a ti um favor foi concedido
Teu filho será investido
De glória e poder divino
Virá salvação desse menino

Cristina Mel
Maria, saibas que


Maria saibas que teu filho Jesus
Andará sobre as águas
Maria saibas que teu filho Jesus
Salvará a humanidade
Saibas que teu filho Jesus
Veio para renovar as forças de todos
Que não podem continuar
Maria saibas que teu filho Jesus
Dará vista ao cego
Maria saibas que teu filho Jesus
Acalmará a tempestade
Saibas que teu filho Jesus
Desde o céu desceu a nós
E quando beijas o menino
Beijas o rosto de Deus
Maria saibas que o cego verá,
o surdo ouvirá
A paz Ele trará
Corações salvará
E livres poderão, em vitória caminhar
Maria saibas que teu filho Jesus
É o filho de Deus
Maria saibas que teu filho Jesus
Curará toda dor
Saibas que teu filho Jesus
Desde o céu, desceu a nós
E o bebê que está em teus braços
É o nosso Salvador

A exemplo do que Maria fez durante sua vida, Soli Deo Gloria.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Everybody Hurts (Todo mundo sofre)

Muitas vezes, murmuramos pela chegada de um momento ruim, de uma aflição ou de um aborrecimento qualquer. Quando, de tempos em tempos, paramos de olhar para nossos próprios umbigos e passamos a olhar para nossos semelhantes, nos defrontamos com uma realidade perturbadora: existem sofrimentos muito maiores. Essa realidade, que faz sobressair nossa miserabilidade e a nossa compreensão equívoca de Deus, contribui para nos arrancar do sono egocêntrico que tem marcado as nossas existências.

Ainda comovidos pela tragédia vivida pelo povo haitiano, eu e Jeane resolvemos postar esse vídeo que falou muito aos nossos corações. Meditem na letra e acompanhem as imagens. Como nós, provavelmente, vocês também terão renovada a convicção de que, ao invés de ficarmos 'lambendo nossos pequenos ferimentos', mais profícuo será trabalhar para diminuir a dor que, infelizmente, ecoa, grassa e viceja no mundo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O amor personificado

Dar glória a Deus quando uma determinada bênção cai de pára-quedas nos quintais de nossas vidas é facílimo. Basta vontade, fôlego e disposição. Ainda que em momentos de distração, já vi até ateus agradecendo ao Criador por eventuais dádivas. O difícil é trilhar esse mesmo caminho quando Ele não responde nossas orações como gostaríamos ou quando permanece no mais profundo, desanimador e, porque não dizer, angustiante silêncio.

Temos a inclinação de nos relacionar com Deus exaltando os seus milagres, as suas bênçãos e as suas realizações, esquecendo, em muitas oportunidades, de glorificá-lo simplesmente pelo que Ele é: o amor personificado. Por isso, é preciso amá-Lo nos dias ensolarados, mas, também, durante as tempestades. É fundamental bendizer o Seu nome quando o pedido é atendido, mas, igualmente, quando ele é peremptoriamente negado. Caso contrário, não teríamos a fé como mola propulsora, mas uma mera, previsível e secular relação mercantil.

Não podemos estabelecer com Deus um relacionamento baseado apenas nos sorrisos, nas vitórias e nas conquistas. Se deixarmos isso acontecer, que ombro nos reconfortará nos dias tristes? De quem buscaremos direção quando a vida se transformar numa grande encruzilhada? Para onde iremos quando a noite pesada cair? De onde virá o estímulo para continuar?

Amemos a Deus pelo que Ele é; jamais pelas bênçãos derramadas.

Deliciosa a passagem em que Sadraque, Mesaque e Abednego, no Livro de Daniel, demonstram confiança total nos livramentos de Deus. Apesar da beleza dessa primeira afirmação, o que salta aos olhos é a declaração de amor ao Pai mesmo que Ele, naquele momento, decidisse não mover uma única palha para ajudá-los.

Idólatra, o rei Nabucodonosor manda fazer uma estátua de ouro e ordena que todos, indistintamente, adorem a imagem. Denunciados por alguns caldeus, Sadraque, Mesaque e Abednego são levados à presença do rei. Mesmo ameaçados de irem para a fornalha de fogo, eles fazem uma das declarações mais lindas de toda a Bíblia: “Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é quem nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. Mas, ainda que não livre, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste”.

Essa é a essência do verdadeiro amor por Deus. Aconteça o que acontecer, livre-nos ou não, derrame bênçãos ou feche as portas do céu, Ele será sempre o nosso Deus, o amor, o perdão e a misericórdia. Entendo que essa convicção é indispensável para plasmar a nossa fé e nortear a nossa vida cristã.

Por último, como sabemos, Sadraque, Mesaque e Abednego, além de passearem sobre o fogo na companhia de Jesus, saíram da fornalha inteiramente ilesos. Mais uma vez, o nome de Deus foi glorificado. “Falou Nabucodonosor, dizendo: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois violaram a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum outro deus, senão o seu Deus”.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Teologia do sofrimento

Neste vídeo, Mark Driscoll discorre sobre o sofrimento. Tema que, ao longo da história da humanidade, despertou e continua despertando acaloradas discussões. Na presente mensagem, ele tenta responder a algumas indagações recorrentes. Por que sofremos? Por que Deus permite o sofrimento? Qual deve ser a nossa posição diante dele? Quais os ensinamentos anti-bíblicos que vêm sendo ministrados sobre o assunto?