
Pastor Pedro Chagas, da Igreja Batista Lindinópolis, vem refletindo sobre esse tema (e outros correlatos) há algum tempo. Ele não se cansa de lembrar que o diabo e seus demônios não podem absolutamente nada contra os filhos de Deus. Assim, se algo de ruim (do nosso ponto de vista) nos acontece, foi porque o Senhor quis que acontecesse. Ou para nos (re) aproximar Dele, ou para nos ensinar alguma coisa, ou para nos livrar de algo muito pior.
Durante a tentação de Jesus, podemos ler na Bíblia o seguinte: “E o Espírito (de Deus) o impeliu para o deserto para ser tentado pelo diabo”. Tá lá em Mateus 4, a partir do versículo 1. Não foi o inimigo que conduziu Jesus para um dos momentos mais difíceis de sua vida (quem é ele...). Foi Deus. E o conduziu para aquele embate (plenamente vencido por Jesus) para que a missão divina de Seu Filho na Terra tivesse êxito, fosse coroada pela vitória.
O que aconteceu naquela repartição pública se reproduz, em maior ou menor escala, em diversos momentos da vida de quem ainda não entendeu que o diabo não tá com essa bola toda. Aquele rapaz e tantos outros deveriam por na conta do capeta aquilo que, de fato, lhe cabe. Entretanto, acabam debitando tudo, absolutamente tudo na já comprida lista de maldades do orelhudo. Se o sujeito entra numa curva a 120 quilômetros por hora, vira o carro e se arrebenta todo, a culpa é do capeta; se negligencia o trabalho e depois fica desempregado, a culpa é do capeta; se deixa o casamento em 10º plano e depois vê o divórcio bater à porta, a culpa é do capeta; se não administra bem as finanças, gastando mais do que ganha, e depois fica todo endividado, a culpa é...claro...do capeta. Conheço pessoas que culpam o capeta até quando o time preferido perde ou quando falta energia na hora da novela “Caminho das Índias”.
Debruçado sobre o mesmo tema, o Pastor Ricardo Gondim assevera: “dá para compreender tanta importância. Como se levantaria tanto dinheiro nas igrejas se o Capeta não fosse a estrela do show da fé? Como televangelistas inculcariam pavor nas pessoas se o Coisa-Ruim não fosse tão medonho? Como as poderosas multinacionais da fé subsidiariam seus projetos se o Demo não adquirisse tanta força? Confesso. Tenho medo de uma religião em que o mal se torna o pivô da espiritualidade. Fico apreensivo com uma fé que não pode prescindir de ameaças e arredio com uma ética constrangida pela possibilidade de Satanás ter direitos legais para arrasar as pessoas que erram”.
O fato é que, naquela repartição pública, ao assistir aquela cena lamentável, fiquei com uma vontade imensa de dizer: “meu amigo, o diabo não tem nada a ver com isso. Se você não fosse tão desorganizado, se trabalhasse com um mínimo de critério, já teria encontrado o documento (que, diga-se de passagem, estava dentro de uma gaveta, entupida de papel e revista velha).
2 comentários:
É verdade, o mal tem sido colocado como o pivô da espiritualidade (gostei dessa frase do pastor Gondim). Minha mäe, por exemplo, era muito disso, e fiquei muito contente quando da última vez que estive em Manaus ela me mostrou os últimos pensamentos que estava pensando acerca do mal e da soberania de Deus. Percebi que ela estava perdendo aquela supervalorizaçao do mal.
É questao de ensinar o certo, o problema é que o meio evangélico está muito impregnado de livros e líderes que exageram na importância do Inimigo.
É muito mais cômodo para o homem atribuir a outrem seus próprios erros do que assumi-los, o que levaria não só a uma dolorosa reavaliação como uma trabalhosa mudança. Desde a Queda Original o ser humano procura um bode expiatório para carregar suas falhas e deficiências e desde então segue colocando na conta do diabo as consequências das suas atitudes mal pensadas e cometidas em total independência de Deus.
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