quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Jesus inegociável

Há algumas semanas atrás, vi uma frase no Twitter – rede social em forma de microblog - que me chamou atenção: “se religião fosse boa teríamos apenas uma”. Nem vou comentar o ‘achado filosófico’ do autor. Entretanto, achei interessante refletir sobre o que aconteceu depois que eu respondi ao post dele. “É verdade. Religião não tem nada a ver com Deus. Jesus, por exemplo, detestava religião”, escrevi. Minutos depois, recebi a informação de que ele havia ‘retuitado’ o meu comentário (ou seja, repassado a minha frase para seus próprios followers). Só que...sem a última oração do período. O sujeito repassou o meu ‘tweet’, mas excluiu o “Jesus, por exemplo, detestava religião”.

Fácil perceber a linha de raciocínio dele. Concordar com a existência de um ‘deus’ pode ser extremamente evasivo, retórico e genérico. Mencionar Jesus, nunca. Você pode até se manter indiferente a inúmeros ‘deuses’, todavia, jamais ficará inerte diante do peso do “Nome que está acima de todo o nome”.

É aquela velha história: “Deus é tudo”, “tudo é Deus”, "Deus é light”, “Deus é um cara zen”. Trilhando esse caminho, o sujeito digere e convive tranquilamente com a existência de um ser superior. Só que sem compromisso, sem qualquer busca, sem nenhum relacionamento. É um ‘deus’ que existe apenas para que ele tenha a quem recorrer nas horas amargas, para que consiga responder aos seus gargalos existenciais ou para que não engrosse ainda mais a casta dos ateus declarados.

Um caminho utilizado para atingir esse cômodo desiderato é o que se convencionou chamar de ‘deísmo’. Essa doutrina admite a existência de um criador, mas rejeita a idéia da revelação divina. Ou seja, Deus criou o mundo, mas não intervém, não age, não se relaciona. O deísmo pretende enfrentar a questão da existência de Deus através da razão, em lugar dos elementos comuns das religiões teístas, como a fé e a revelação direta ao homem.

Se pararmos para refletir um pouco sobre o deísmo e, até mesmo, sobre outras doutrinas similares, como o panteísmo (ensino que propõe a natureza e o universo como divindades e não como criações), perceberemos facilmente que ele é o começo de um processo de transição que poderá passar pelo agnosticismo (doutrina que admite a existência de Deus, mas, também, a nossa absoluta incapacidade de compreendê-Lo e, portanto, de provar a sua existência) e culminar no ateísmo (sistema que nega veementemente a existência de Deus).

Com Jesus, não há lugar para imbróglios como esse. Para justificar suas escolhas, o sujeito pode até trocar o Deus de Abraão, Isaque e Jacó por qualquer um dos milhares de falsos deuses que povoam, desde os tempos imemoriais, o coração enganoso dos homens. Todavia, ele jamais conseguirá diminuir o impacto que o nome do Filho de Deus causa nas pessoas, mesmo quando estas O rejeitam. Cristo é a revelação maior, a Palavra eterna, a porção encarnada de Deus. Quando as pessoas cruzam com Ele nas esquinas da vida, de uma forma ou de outra, o mundo se modifica, as coisas ganham novos contornos, todas as convicções interiores restam estremecidas (ainda que, diante das pressões sociais e familiares, permaneçam ocultas).

Em síntese, você pode até negociar a concepção contemporânea de ‘deus’. Afinal de contas, querendo, ela pode variar ao sabor de suas próprias conveniências. O mesmo não pode e jamais poderá ser feito com Jesus, uma vez que, mais do que definir uma crença, Ele reorienta caminhos e reconstrói modelos existenciais.

Solus Christus

4 comentários:

Melysson Tavares disse...

Que delícia de artigo...

Parabéns, Alex.

Iracy de Floripa disse...

Além do belo artigo, obrigada pelas informações sobre deísmo, agnosticismo, etc. Rs. Fazia uma confusão doida sobre esses assuntos. Valeu, Alex.

Pr. Gualter Guedes disse...

Meu bom amigo Alex Malta.

Por estas e outras razões que devemos cada vez mais anunciar o Evangelho da Graça... Aquele jenuíno, sem meios termos, muitas das vezes teremos que fazer como João Batista, se for preciso. Mas precisamos anunciar que existe um Deus sobre todos os deuses, um Senhor sobre todos os senhores, pois "em nenhum outro nome há salvação, porque também debaixo do céu nenhumoutro nome há, dado entre os homes, pelo qual devamos ser salvos" At.4.12

A Paz do Senhor
Um Abraço
Pr. Gualter Guedes

Elaine Cândida disse...

"Achar que o mundo não tem um Criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é o resultado de uma explosão numa tipografia." (Benjamin Franklin)

A competência divina compensa a incompetência humana. Como o orgulho humano não deixa muita gente admitir isso, essa gente prefere chamar qualquer coisa de Deus ou simplesmente rejeitar qualquer possibilidade de Deus.

Mas essa atitude, no mínimo ignorante, é só mais uma prova que a existência de um Deus superior e infinitamente competente é real e extremamente necessária.

Shalom.