80 mil metros quadrados de área construída. Cerca de duas vezes a altura do Cristo Redentor. Altar e fachada feitos com pedras importadas de Israel. Capacidade para 13 mil pessoas sentadas. Investimento de R$ 300 milhões. Muitos acharam que o projeto não sairia do papel. Saiu. Foi liberada a construção do maior templo da Igreja Universal do Reino de Deus no mundo. O prédio, que terá como molde o Templo construído pelo rei Salomão no Antigo Testamento, será erguido no bairro do Brás, em São Paulo. “Será a mais bela das nossas igrejas no mundo inteiro. O templo da glória de Deus no Brasil”, garante Edir Macedo, em sua biografia lançada no ano passado.
Recentemente, durante um de seus programas de televisão, Edir Macedo afirmou que os fiéis vão ajudar a pagar as pedras que estão sendo trazidas de Israel. Ainda segundo ele, depois de construído, o povo terá a oportunidade de colocar as mãos nas pedras para, assim, falar com o próprio Deus por meio delas, numa espécie de ‘sincretismo espírita’.
Que sentimento podemos ter diante de algo assim?
Como lembra o irmão Alexandre Pitante, no seu Avivamento Pela Palavra, o templo construído por Salomão, descrito no segundo Livro de Crônicas, foi dedicado como ‘lugar de oração, louvor e adoração ao Deus vivo’.
A julgar pelas práticas reinantes na IURD, como Fogueira Santa, Óleo de Israel, Rosa Ungida, Sal da Prosperidade e Banho das Sete Águas...
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Me engana que eu gosto
As culturas devem ser lidas nas linhas e entrelinhas. As linhas falam da coisa em si. As entrelinhas falam do espírito da coisa. As entrelinhas podem distorcer e, até mesmo, destruir o que está dito nas linhas. Com a cultura cristã não é diferente. Veja o exemplo da assinatura da Igreja Universal do Reino de Deus, a saber, Jesus Cristo é o Senhor. De acordo com o Novo Testamento, isso significa que devemos viver como escravos dos propósitos de Jesus Cristo: ele manda e a gente obedece, ele propõe e a gente executa, ele dirige e a gente segue, pois, afinal de contas, Ele é o Senhor. Mas na cultura da IURD, as entrelinhas dessa afirmação fazem com que ela signifique que Jesus pode realizar todos os seus desejos, uma vez que Ele é o Senhor. A relação fica invertida: você clama e ele responde, você reivindica e ele atende, você pede com fé e ele lhe dá o que foi pedido, você participa da corrente de oração e se submete aos 318 pastores e Jesus faz a sua vida próspera e confortável, pois Jesus Cristo é o Senhor e você é “filho do rei”, de modo que não há qualquer motivo para que você continue nessa vida miserável, daí a segunda convocação da IURD: “pare de sofrer”. Percebe como as linhas dizem uma coisa e as entrelinhas dizem outra? O movimento evangélico é mestre em fazer confusão e promover distorção do Evangelho em virtude desse jogo de linhas e entrelinhas. Um exemplo disso é a mensagem VAI DAR TUDO CERTO.
Salmo 22 (Vai dar tudo certo)
Deus tem visto suas Lutas. Deus diz que elas estão chegando ao fim. Uma benção está vindo em sua direção. Se você crê em Deus, por favor, envie esta mensagem para 20 amigos. Jesus disse: “se me negas entre os homens, te negarei diante do pai” Dentro de 4 minutos te trarão uma notícia boa.
Deixo de lado a crítica gramatical e o péssimo uso da língua portuguesa. Dedico minha atenção ao conteúdo da mensagem que, travestida de cristã, é absolutamente anticristã: mentirosa, fantasiosa, desprovida de qualquer sentido bíblico, desalinhada com o ensino e a experiência de Jesus, seus apóstolos, e seus primeiros seguidores, totalmente alinhada com os discursos baratos da auto-ajuda e da enganação religiosa, enfim, uma versão barata e piedosinha da superstição sincrética do espiritualismo popular.
A afirmação “vai dar tudo certo” significaria, por exemplo, que os propósitos de Deus prevalecerão, a marcha da igreja de Jesus Cristo contra os poderes do mal será vitoriosa, a vontade de Deus será um dia feita na terra como o céu. Mas também significaria que os seguidores de Jesus seriam sempre ovelhas em meio aos lobos [Mateus 10.16], odiados pelo sistema sócio-político-econômico anti-reino de Deus, ameaçados de morte, rejeitados, caluniados, e perseguidos por causa do nome de Jesus [Mateus 5.10-12], e passariam por muito sofrimento e tribulação antes de receberam a vitória plena no reino eterno de Deus [Atos 14.22]. Isto é, antes de dar tudo certo, daria tudo errado. A convicção de que “em Cristo somos mais que vencedores” [Romanos 8.37], e que “em Cristo Deus sempre nos conduz em triunfo” [2Coríntios 2.14], é também acompanhada de uma profunda compreensão a respeito dos custos de se colocar ao lado de Deus e do reino de Deus, em oposição à injustiça e aos agentes promotores e mantenedores da morte no mundo. Porque me parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte.
Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo! Nós somos fracos, mas vocês são fortes! Vocês são respeitados, mas nós somos desprezados! Até agora estamos passando fome, sede e necessidades, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo. [1Coríntios 4.9-13].
Fica, portanto, muito evidente que quando os cristãos do Novo Testamento diziam que “vai dar tudo certo” estavam afirmando coisas completamente diferentes dessas afirmadas na mensagem que recebi pela internet, que diz: Tudo irá bem contigo a partir de agora. Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos. Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória. Cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos'. Receberás um milagre amanhã. Uma benção está vindo em sua direção. Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa. Meu amigo, minha amiga, não é verdade que “tudo irá bem contigo a partir de agora”, e também não é verdade que “você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos”. Não se iluda, pois não é verdade que “nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória”. Preste atenção: o compromisso cristão não suplica que Deus cubra com sua luz “minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos”.
Na verdade, o compromisso cristão exige que você deixe de viver para seus sonhos, seus planos e seus projetos e passe a viver para Deus, pois, como ensina a Bíblia, “o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou“ [2Coríntios 5.14,15], e justamente por isso é que quem deseja seguir a Jesus deve lembrar o que Jesus disse: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” [Mateus 16.24-26].
Também não é verdade que “receberás um milagre amanhã” e que “dentro de quatro minutos te dirão uma notícia boa”. Pelo amor de Deus, jogue fora esse evangelho açucarado, que promete o que Deus jamais prometeu, e gera falsas esperanças nas pessoas. Respeite o sofrimento e a dor das milhares de pessoas que, apesar de sua fé, e talvez justamente por causa de sua fé, passam fome, não têm mínimas condições de sobrevivência, sofrem as consequências de tragédias pessoais e fatalidades naturais, são vítimas de um sistema mundano cruel, que as condena à escravidão e a uma vida sem futuro. Lembre dos cristãos que vivem na África, na Índia, na América Latina, e nos rincões miseráveis do Brasil.
Seja solidário com as minorias: os negros escravizados, as mulheres violentadas, as crianças abusadas, as populações indígenas dizimadas, os refugiados de guerra, os perseguidos políticos, os desaparecidos. Respeite a grandeza dos cristãos perseguidos e mortos sob a tirania do fundamentalismo islâmico e dos regimes políticos ateístas. Pense um pouco se essa mensagem “vai dar tudo certo, todos os seus sonhos se realizarão, você vai receber um milagre amanhã” faz algum sentido na ala infantil do Hospital do Câncer, no campo de refugiados (mutilados) de Angola, ou nos casebres secos do sertão brasileiro. Construa sua fé sobre um alicerce mais sólido. A Bíblia não é um livro que pode ser manuseado por qualquer pessoa, de qualquer jeito.
Da mesma maneira que não é qualquer pessoa que pode dar palpite a respeito do direito, de medicina, da engenharia, ou do marketing, também a teologia exige um mínimo de preparo, senão, muito preparo mesmo. Digo isso porque talvez o autor dessa mensagenzinha não saiba que o Salmo 22 é um dos Salmos messiânicos, que profetiza o sofrimento e o fracasso do Messias, que foi (1) abandonado por Deus e pelos homens [Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio! Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra], (2) rejeitado [Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo], (3) insultado [Caçoam de mim todos os que me vêem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim], (4) dilacerado pela dor que lhe foi brutalmente imposta [Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo. Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte. Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés], e por fim (5) cuspido na cara e crucificado como impostor.
Para esse Messias não deu nada certo. Ele não recebeu uma boa notícia quatro minutos após sua agonia no Getsêmani, e também não recebeu um milagre no dia seguinte. No dia seguinte foi crucificado. Mas esse Messias, apresentado pelo profeta como “homem de dores, que sabe o que é padecer” [Isaías 53], “Deus exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” [Filipenses 2.9-11]. Isso sim é dar tudo certo.
Provavelmente, alguém vai dizer que é isso o que a mensagenzinha da internet quis dizer. Mas não foi. Nas linhas, pode ter sido. Mas no contexto da religiosidade popular e da subcultura evangélica, a mensagenzinha sugeriu que “os seus sonhos e os seus projetos” darão certo, e que você pode esperar para amanhã aquela resposta milagrosa de Deus para resolver seus problemas e dificuldades particulares, e que em quatro minutos você vai receber uma notícia boa, muito provavelmente trazendo a você uma benção na forma de conforto e prosperidade. Em síntese, a mensagenzinha pode ser interessante, pode trazer uma esperança e um conforto para quem está lutando contra um sofrimento ou uma dificuldade medonha, e pode até mesmo trazer um alívio do tipo “eu sei que não é bem assim, mas é bom pensar que é, ou acreditar que pode ser”. Mas definitivamente essa mensagenzinha não tem nada a ver com o Evangelho de Jesus Cristo. Ed René Kivitz
sexta-feira, 5 de março de 2010
Desserviço bíblico
Assisti pelo Youtube à atuação do Pr. Silas Malafaia no programa do Ratinho recentemente. Como ele mesmo confessou, seu estilo é bem parecido com o do apresentador. Poderíamos até dizer que Silas é uma espécie de Ratinho Gospel. Não tem papa na língua e gosta de ver o circo pegar fogo. O que achei? Sinceramente? Um desserviço à causa. Primeiro: ali não era o lugar para se debater com seriedade um assunto tão complexo. A produção do Ratinho certamente escolheu Silas por saber de seu temperamento, ingrediente indispensável para um circo de horrores como o promovido pelo programa. Achei-o deselegante com sua oponente. Já tive a oportunidade de debater com ele várias vezes em duas emissoras no Rio de Janeiro. Ele não consegue se calar nem no intervalo. Sua fama foi construída em cima disso. Apesar de polêmico (mais por seu temperamento do que por suas posições), Silas é extremamente conservador, e não consegue manter um diálogo em alto nível. Mas infelizmente é isso que o povão gosta.
Não consigo imaginar Jesus Se prestando a um papel desses. Jesus nunca bateu boca com ninguém. E Ele jamais participaria de uma campanha contra o direito de quem quer que fosse. O tipo de posicionamento defendido por Silas só faz aumentar o abismo entre a igreja evangélica e os homossexuais. Que vantagem há nisso? Como poderemos evangelizar um grupo contra o qual nos manifestamos? Em vez disso, deveríamos estar defendendo seus direitos, angariando sua simpatia e confiança, e assim, revelando-lhes o amor transformador do nosso Deus. Sem imposições, sem histeria, sem mania de perseguição, mas com mãos estendidas em vez de dedo à riste.
Quem, afinal, teria ganho aquele debate? É claro que a maioria do povo evangélico vai dizer que foi Slias. Mas sabe quem perdeu? Todos nós. Silas tornou-se numa referência caricata da igreja brasileira. E o pior de tudo é que por trás de toda esta vociferação contra a PL 122 há uma não confessável intenção política. Os políticos evangélicos (que até agora não mostraram a que vieram!) precisam garantir a próxima eleição. Nada melhor do que tocar terror no povo, usando o tal projeto de lei como o carro abre-alas.
Essa estória de que as igrejas serão obrigadas a casar gays é conversa fiada. O mesmo projeto de lei é contrário a qualquer tipo de discriminação religiosa. Pode-se "condenar" a pobreza sem com isso discriminar o pobre. Pode-se "condenar" o alcoolismo sem discriminar o alcoólico. O mesmo se aplica aos homossexuais. Se um determinado credo reprova o comportamento homossexual, não quer dizer que seus seguidores discriminem homossexuais.
Que vergonha... deveríamos estar do lado deles, condenando a homofobia, e assim, escancarando a porta para que tivéssemos acesso aos seus corações. Em vez disso, colocamo-nos ao lado de seus algozes. A igreja cristã que produziu homens como Martin Luther King, Jr. que defendeu com o preço de sua própria vida os direitos civis, agora produz homens intolerantes que almejam, em nome de um projeto político, conduzir a igreja de volta à idade das trevas. Foi este tipo de posicionamento intolerante que provocou a morte das bruxas de Salém, a Inquisição, o Apartheid.
Infelizmente, nosso povo tem memória curta. Semanas atrás, todos repudiavam a teologia da prosperidade pregada por Silas ao lado de seu mentor Morris Cerullo. Agora, por uma causa com motivações duvidosas, Silas voltou a ser quase unanimidade entre os evangélicos. Espero que o povo de bom-senso acorde para isso, reveja seus conceitos, e se posicione contrário a qualquer tipo de manipulação. Hermes Fernandes. Título original: Opinião: Silas x Homossexuais no programa do Ratinho.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Eventos que dão apoplexia...
Menino prodígio pregando e fantasiado de pastor. (Tenho vontade de esganar os pais e os líderes que permitem esse tipo de excrescência). Marcha para Jesus em São Paulo. (Sei que esse “carnaval-gospel-fora-de-hora” acontece em outras cidades, mas nenhum consegue ser tão ruim).
Pastor entrevistando demônio. (Além de considerar desprezível o que um demônio tenha para dizer, acho esse tipo de coisa uma violência contra a dignidade humana).
Evangelista empetecado prometendo prosperidade. (Tais mercadores da esperança povoarão a esfera mais baixa do mundo subterrâneo de Dante).
Profecia em programa de rádio. (O pastor chuta afirmando que algum motorista está triste e que Deus mandou aquele recado. Pateticamente acerta todas).
Conferência missionária que atrela a miséria da Africa à idolatria. (Da mesma forma, as veias do meu pescoço incham quando ouço alguém dizer que os Estados Unidos ficaram ricos porque são “uma nação cristã”).
Testemunho de cura divina em cruzada evangelística. (Que tristeza ouvir velhinha contar que foi curada de caroço, dor nas pernas e de problemas na coluna! Os que têm o dom de cura devem dar plantão na Ala dos Indigentes do Hospital do Câncer ou em clínicas de Hemodiálise).
Sermão entrecortado com línguas estranhas. (Será que as platéias não percebem o exibicionismo?).
Político se convertendo em ano eleitoral. (Que mico; o nojo se mistura com vergonha!)
(Tem muito mais... Aceito sugestões). Título original: Eventos evangélicos que dão apoplexia. Pastor Ricardo Gondim.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Simplesmente Maria
“Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1: 42). Após ser recebida pela sua prima Isabel com essa linda palavra, Maria faz uma declaração eterna: “a minha alma engrandece ao Senhor, E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lc 1: 46,47).Não é esse o objetivo deste artigo (farei isso em uma outra ocasião), mas toda vez que leio essa última passagem fico extasiado com a quantidade de coisas que podemos aprender com Maria. Como serva do Senhor, vivendo majoritariamente pela fé, ela deixou ao mundo um legado de amor, confiança e humildade.
Para além da visão equivocada que outros ramos do cristianismo possuem de Maria, para mim (e para todos que conhecem a Bíblia), ela sempre será a mulher mais especial que já existiu. Afinal de contas, coube a Maria, cumprindo um papel escrito por Deus, trazer a este mundo o redentor e salvador da humanidade.
Acho muito triste quando nós, evangélicos, somos acusados, principalmente pelos católicos, de termos rejeitado a figura de Maria. Jamais fizemos isso. Por compreendermos a sua missão histórica e espiritual, sempre a amamos e sempre a amaremos profundamente. A única – e crucial – diferença é que nós não a temos como intercessora, realidade que, se consumada, representaria uma usurpação a um papel que é exclusivamente de Jesus. “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).
Duas belas canções, gravadas recentemente, reforçam essa visão do povo evangélico: “Maria”, interpretada por Fernanda Brum, e “Maria, saibas que”, fruto de um belo dueto entre Cristina Mel e Marcus Salles. Quem quiser ouvir as músicas pode acessar os seguintes links no YouTube: “Maria” e “Maria, saibas que”.
Fernanda Brum
Maria
Era uma mulher sensível
A Deus, serva submissa
Viveu ao Senhor sempre rendida
Bendita entre as mulheres
Exemplo será pra sempre
Bendito é o fruto do seu ventre
Alcançou graça no Senhor
Ela disse em seu coração
Engrandece alma minha
A meu Deus e meu Salvador
Pois sua graça e misericórdia
São de geração em geração
O anjo de Deus lhe disse
Não temas; és escolhida
E a ti um favor foi concedido
Teu filho será investido
De glória e poder divino
Virá salvação desse menino
Cristina Mel
Maria, saibas que
Maria saibas que teu filho Jesus
Andará sobre as águas
Maria saibas que teu filho Jesus
Salvará a humanidade
Saibas que teu filho Jesus
Veio para renovar as forças de todos
Que não podem continuar
Maria saibas que teu filho Jesus
Dará vista ao cego
Maria saibas que teu filho Jesus
Acalmará a tempestade
Saibas que teu filho Jesus
Desde o céu desceu a nós
E quando beijas o menino
Beijas o rosto de Deus
Maria saibas que o cego verá,
o surdo ouvirá
A paz Ele trará
Corações salvará
E livres poderão, em vitória caminhar
Maria saibas que teu filho Jesus
É o filho de Deus
Maria saibas que teu filho Jesus
Curará toda dor
Saibas que teu filho Jesus
Desde o céu, desceu a nós
E o bebê que está em teus braços
É o nosso Salvador
A exemplo do que Maria fez durante sua vida, Soli Deo Gloria.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Teologia do sofrimento
Neste vídeo, Mark Driscoll discorre sobre o sofrimento. Tema que, ao longo da história da humanidade, despertou e continua despertando acaloradas discussões. Na presente mensagem, ele tenta responder a algumas indagações recorrentes. Por que sofremos? Por que Deus permite o sofrimento? Qual deve ser a nossa posição diante dele? Quais os ensinamentos anti-bíblicos que vêm sendo ministrados sobre o assunto?
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Evangelho esquizofrênico
Certa vez, o Reverendo Caio Fábio definiu a banalização do ‘falar em línguas’ como uma ‘esquizofrenia do evangelho’, uma espécie de deturpação alucinógena da Palavra. Infelizmente, a formulação conceitual proposta por ele vem servindo para nomear inúmeras outras práticas presentes em diversos púlpitos e congregações deste país.Vez por outra, ficamos sabendo de algum absurdo, de alguma nova espécie de insanidade levada a cabo por pessoas que não possuem nenhum compromisso com o Evangelho. O ministério dessas lideranças encontra-se ancorado no apelo fácil, no desejo de anestesiar consciências e na política do “pão e circo”.
A proposta é manter as pessoas no limite vertical de suas emoções. Uma espécie de transe que as afasta da realidade, dos seus problemas e, principalmente, da necessidade de perseverar na Palavra e no conhecimento do Senhor Jesus.
Entre as loucuras que vêm emergindo nos púlpitos brasileiros, merece destaque a já famosa ‘unção do pinto’. O ‘pastor’ pede para o sujeito ir a frente e, logo depois, abrir a braguilha da calça. Afogado por gemidos, gritos e ‘palavras estranhas’, o pinto da vez é ‘ungido’ para, finalmente, iniciar sua produção filial.
Além da ‘unção do pinto’, temos a prática de imitar animais (ação que humilha a principal criação de Deus), a disseminação da hipnose e o 'culto do gemido’ (onde as pessoas ‘gemem’ na presença de Deus e, com certeza, do cão também).
Dia desses, um conhecido foi a uma igreja de Salvador e saiu de lá mais incrédulo do que entrou. Entre as loucuras presenciadas, uma ficou para sempre na sua mente: a campanha ‘Traga 100 e ganhe 200’. Para cada 100 reais doados à igreja, o pastor orava e garantia que, no final do mês, iria aparecer na conta de cada participante o dobro desse valor. “O que mais me impressionou não foi nem tanto essa picaretagem. O mais assustador foi testemunhar uma histeria coletiva. Cada vez que uma pessoa que ia a frente com uma cédula de 100 reais, a congregação urrava e dava pulos de meio metro. Nunca vi nada igual”, comenta.
Só a título de ilustração e de forma sucinta, a esquizofrenia pode ser definida como um transtorno psíquico severo, caracterizado, classicamente, por uma coleção de sintomas variados que podem incluir alterações do pensamento, alucinações (sobretudo, auditivas), delírios e perda de contato com a realidade.
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”, Rm 12:1.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O preço do "show"
Prossigo reiterando que este blog não foi concebido para detratar quem quer que seja, em especial os nossos presumíveis irmãos de fé. No entanto, é da natureza deste humilde espaço reforçar posições, coibir estelionatos espirituais e denunciar toda e qualquer agressão ao Evangelho de Jesus.Infelizmente, ‘algo de podre’ vem emergindo no seio do crescente, idolatrado e cada vez mais rico mercado gospel brasileiro.
É inacreditável como as pessoas que participam desse segmento perderam inteiramente o foco. Não cantam mais para exaltar o nome do Senhor Deus, não possuem mais a proposta de abençoar seus ouvintes. Transformaram-se em ‘artistas gospel’, em ‘estrelas evangélicas’, em ‘reproduções seculares’.
É importante salientar, entretanto, sob pena de cometermos injustiças, que não se pode colocar todo mundo no mesmo barco. Ainda creio que exista muita gente boa fazendo música com o propósito majoritário de glorificar o nome de Deus e abençoar milhares de pessoas. Pena que, por tudo que tenho visto, ouvido e testemunhado, esse pessoal seja uma exceção e não uma regra.
Hoje pela manhã, conversando com um conhecido de Salvador, fiquei ainda mais convicto dessa realidade. Após 15 anos dedicando-se à promoção de shows seculares, ele converteu-se e passou a realizar eventos com cantores evangélicos. Alguns com bilheteria e em espaços fechados, outros em igrejas e sem qualquer fim lucrativo. Tudo seria maravilhoso se hoje ele não estivesse profundamente decepcionado e pensando em desistir de tudo. “Depois de três anos, estou seriamente inclinado em voltar a promover shows com Djavan, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Se é para aturar vaidades, melhor, então, que seja com eles. É duro suportar pessoas que, nos bastidores, dão ataques de estrelismo, mas, no palco, viram verdadeiros anjos sem asas”.
O quase ex-promotor gospel revela que a gota d’água para o seu desânimo foi a tentativa de trazer para Salvador uma cantora evangélica carioca. Ao estabelecer o primeiro contato com o ‘empresário’ da moça, quase caiu da cadeira com a lista de exigências. “Além de várias solicitações técnicas, como luz, som e palco, o cidadão disse que ela só saía do Rio de Janeiro por 20 mil reais, mais alimentação, hospedagem e passagens de avião. Até aí, tudo bem. Fiquei horrorizado mesmo quando ele ainda acrescentou que o camarim deveria estar munido de 25 toalhas de rosto de uma marca importada, dez buquês de rosas e, pasme, vários alimentos caríssimos, entre eles caviar beluga”,
Deus do céu. No que esse troço se transformou?
Renato Vargens conta que, há algum tempo, “um pastor amigo relatou que uma cantora ao chegar em sua igreja perguntou: "aonde está o segurança contratado para me acompanhar?” O pastor respondeu: "segurança? que é isso minha irmã? aqui na minha igreja não tem isso não. Aqui todo mundo anda sozinho." A tal cantora, ao ouvir a resposta do pastor, devolveu: "Pastor, não faça isso. Não vou conseguir andar na igreja. Todo mundo vai querer me tocar".
Outro amigo de Vargens relata uma segunda experiência vivida ao conhecer as “condições” para contratar uma cantora gospel.
“Entre a imensa lista de exigências feitas pela cantora para ‘louvar a Deus’, destacavam-se um carro novo com ar condicionado e motorista particular para ela e para seu marido; passagem aérea para 14 pessoas pela empresa TAM; contratação de duas vans: uma com 16 lugares para o transporte de sua equipe e outra para os equipamentos; hospedagem em hotel de categoria máxima, com um quarto diferenciado para a ‘cantora’ e para seu marido; refeições em um restaurante (jamais no próprio hotel) que disponibilizasse o seu café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar; equipamento de show e mapa de palco de acordo com suas estipulações; e, por fim, como se todas essas exigências não bastassem, 25 mil reais pela apresentação. Isso mesmo. Vinte e cinco mil reais por uma hora e meia de ‘show’. Além disso, ela ainda exigiu que nenhuma gravação em áudio ou em vídeo seja realizada durante o evento”.
Meus irmãos, onde é que fica Deus nisso tudo?
A outra face do atual mercado gospel é o ‘profissionalismo’ das gravadoras. Atualmente, elas faturam milhões de reais por mês, conduzindo, de forma cada vez mais tirânica, seus negócios e seus ‘pupilos adoradores’. Segundo pessoas que passaram por essas fábricas de ilusões, se o sujeito estiver vendendo muito, permanece no elenco. Se passar a vender pouco, é sumariamente descartado. “É a lei do mercado”, dizem os rejeitados.
Voltando para as coisas de Deus: “ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo, falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus." (II Coríntios 2.17).
Sobre o assunto, obviamente enfrentado com maior amplitude, indico uma entrevista concedida pelo Reverendo Caio Fábio. Na oportunidade, Caio discorre sobre a história da música evangélica brasileira, incluindo aspectos como louvor profético, música gospel, trajetória dos levitas e a verdadeira adoração.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Velhas heresias
Não deixem de assistir a este vídeo. Nele, o Pastor Paulo Júnior denuncia os enganos da Teologia da Prosperidade, a pregação de um evangelho alienígena, a disseminação de um cristianismo sem cruz e a proliferação de cultos que valorizam a pirotecnia espiritual em detrimento da Palavra.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Um show de idolatria
Evito abordar certos assuntos no Evangelho da Graça por entender que a maioria deles não abençoa ninguém. Não consigo entender, por exemplo, o que pode haver de edificante nas futricas travadas nos bastidores (às vezes, nos púlpitos mesmo) por determinados líderes da ainda chamada ‘Igreja Evangélica Brasileira’. Fulano disse “isso” e, imediatamente, Beltrano respondeu “aquilo”. Como costuma dizer um dos meus sobrinhos, ‘me economizem’. Quem gosta de ler esse tipo de coisa, realmente, terá que procurar outro blog ou site.
No entanto, apesar de também não gostar de um outro tipo de postagem (aquela que mostra os absurdos, invencionices e desatinos de muitos líderes e denominações), não tenho como ficar impassível quando vejo coisas como essa. Nada contra a pessoa, nada contra a igreja em questão. A crítica vai, única e exclusivamente, para a prática, para a situação, para a ausência de compromisso com o que se encontra na Bíblia.
No episódio retratado pelo vídeo postado logo acima, o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), incentiva, ou pelo menos não se importa, que as pessoas o toquem. Aparentemente, o fato acontece quando Santiago sai de um culto e entra numa espécie de corredor polonês. Nos dois lados do corredor, inúmeras pessoas se esforçam para tocá-lo e, assim, “receber suas bênçãos”. Lembro de algo parecido quando Elvis Presley terminava seus shows. Na maioria das vezes, o cantor norte-americano tinha que sair do palco direto para sua limusine. No trajeto, entretanto, muitos de seus fãs conseguiam tocar o seu rosto, seu cabelo ou seu macacão. Relatos dão conta de que os ‘sorteados’ ficavam vários dias sem lavar as mãos.
Será que acontece o mesmo com os “tocadores de Valdemiro”?
“E estava assentado em Listra certo homem leso dos pés, coxo desde o ventre de sua mãe, o qual nunca tinha andado. Este ouviu falar de Paulo, que, fixando nele os olhos, e vendo que tinha fé para ser curado, disse em voz alta: Levanta-te direito sobre teus pés. E ele saltou e andou. Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. [...] Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles” (Atos 14, 8-15). Por que as coisas não podem ser assim?
Como escreveu Nani, no seu Nani e a Teologia, “existem problemas tanto no comportamento dos fiéis quanto no de Valdemiro. Com relação aos fiéis, pelo menos nesse vídeo, fica nítida uma disputa por tocar no líder religioso. Como se o homem em questão tivesse o poder curativo de Deus em seu corpo. Como se o fiel fosse uma tiete que pega em seu ídolo. Algo muito próximo da idolatria. Só que com um ídolo que anda e fala em um show religioso. Com relação a Valdemiro, o problema está nessa euforia em torno de sua pessoa, e que ele não combate. Obviamente, existe um incentivo a pensarem que o poder curativo estaria nele e não em outra igreja, mas isso é explicado pela concorrência religiosa atual e Deus está bem longe de tudo isso”.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Sofrendo com os presentes alheios
Ao invés de agradecer a Deus pelas vitórias alcançadas, muita gente prefere sofrer com os avanços alheios. São pessoas que se lamentam pela casa ou pelo carro que o irmãozinho ganhou de Deus, esquecendo-se, miseravelmente, de glorificar ao Senhor por não pagar mais aluguel ou por não andar mais de ônibus.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Os bruxos da conveniência
Ocultismo, ambição e muita, muita ignorância. Eis alguns dos principais ingredientes para a formação de um verdadeiro circo de horrores em um dos muitos rincões miseráveis da África.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Judaizando a Graça
“E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46). “Está consumado” (João 19:30). “E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (Mateus 27:51).Como todos nós sabemos, após esses eventos, registrados nos Evangelhos, fomos libertados do jugo da lei, dos preceitos cerimoniais e, de forma alegórica, da imensa ‘dureza de coração’ observada no Antigo Testamento.
Não vivemos mais debaixo da lei, mas, sim, debaixo da graça. É ela que nos resgata, nos alimenta e nos mantém de pé.
Com a nova aliança, estabelecida a partir de Jesus, fomos libertados de inúmeras regras, prescrições e procedimentos que nos mostravam o pecado, mas que, da mesma forma, nos encaminhavam para o inferno, haja vista a impossibilidade de cumpri-los na sua inteireza.
Infelizmente, apesar da clareza do Novo Testamento, que nos acolhe com a Graça do Senhor Jesus, alguns segmentos e denominações da igreja hodierna insistem em criar novas ondas, novos modismos, novas interpretações.
A bola da vez é o chamado movimento re-judaizante.
Uma espécie de volta aos dias de Moisés, aos anos de legalismo primitivo, "ao olho por olho, dente por dente", aos tempos em que o véu do templo ainda não havia sido rasgado.
O pior é que esse retrocesso, que deseja reviver um tempo em que a graça ainda não estava entre nós, já está presente não apenas nas igrejas, mas, também, nas músicas, nos filmes, nas camisas e nas publicações cristãs.
Não vejo nenhum problema na lembrança, pura e simples, das festas mosaicas (Páscoa, Pentecostes, Tabernáculos e Dia da Expiação) ou na utilização de objetos ligados à cultura judaica, como o shofar (instrumento musical feito de chifre de carneiro ou antílope), o Kippah (cobertura para a cabeça), o talid (manto de orações) ou o menorah (candelabro de sete lâmpadas).
O drama ocorre quando esses elementos são inseridos na liturgia de nossas igrejas. O problema surge quando o ritual religioso é redesenhado para substituir a graça.
Como diz Caio Fábio, mais do que ‘recosturar o véu, frase cunhada pela poesia de João Alexandre, esse movimento veio para ‘pisar no sangue de Jesus’.
Além de uma relação cada vez mais idólatra com Israel, alguns adeptos mais fervorosos do movimento re-judaizante chegam ao absurdo de só invocar Deus em hebraico. Incompreensivelmente, proíbem Jesus, exigindo Yeshua.
Por outro lado, ressuscitam os 'levitas sacerdotes’, que, segundo o entendimento deles, estaria numa posição de superioridade, constituindo uma verdadeira ‘classe de ungidos’.
Ora, pela nova aliança, somos todos sacerdotes. O véu do templo foi rasgado, de alto a baixo, dando-nos pleno e livre acesso ao Pai. Não existem mais intermediários terrestres.
É importante enfatizar também que a lei nada mais foi do que um pacto estabelecido entre Deus e Israel. Pacto selado até que Jesus se manifestasse para transmutar a lei na graça e, profeticamente, “pisar na cabeça da serpente” (Gênesis 3:15).
É sempre bom lembrar que o fato de ter nascido sob a lei e tê-la cumprido na sua plenitude não impediu que Jesus anunciasse o Evangelho da Graça, que colocava a nossa relação com Deus em um patamar muito mais elevado e profundo, ou, mesmo, que denunciasse o farisaísmo da época.
Li em algum lugar, não me recordo onde, a seguinte observação: “a existência da arca da aliança, símbolo maior da presença de Deus, era uma prova viva de que a lei não conseguira remover o pecado, que restava coberto apenas pelo sangue dos animais sacrificados. Com a vinda de Cristo, os pecados foram removidos e estabelecido um novo concerto”.
Quer cumprir a lei? quer voltar ao Antigo Testamento? quer impregnar-se das simbologias veterotestamentárias? quer jogar a graça de Jesus na lata do lixo? Então, submeta-se. O primeiro passo seria a circuncisão. Logo depois, o cumprimento de toda a lei (inclusive, a cerimonial).
O resto é falta do que fazer, é desconhecimento da Palavra, é factóide gospel, é ausência de amor e respeito por Cristo. Se ainda não assistiram, não deixem de assistir ao vídeo postado logo abaixo sobre 'A Volta da Arca da Aliança'.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
A volta da Arca
"...nem dela se lembrarão, nem a visitarão; isso não se fará mais". Nessa passagem do livro de Jeremias (3:16), as Escrituras Sagradas afirmam que, com a vinda do Messias, a Arca da Aliança (que simbolizava a presença de Deus entre o povo) deixou de ser relevante. Será que eles não conseguem entender isso?
Esse movimento re-judaizante, que quer trazer elementos da cultura mosaica para os nossos dias, vividos plena e maravilhosamente na Graça do Senhor, é um ultraje ao sangue vertido por Cristo na Cruz do Calvário. Como diz Caio Fábio, muito mais do que 'recosturar o véu', frase cunhada pela poesia de João Alexandre, esse absurdo significa "pisar no sangue de Jesus". Vejam este vídeo e tirem suas próprias conclusões.
Esse movimento re-judaizante, que quer trazer elementos da cultura mosaica para os nossos dias, vividos plena e maravilhosamente na Graça do Senhor, é um ultraje ao sangue vertido por Cristo na Cruz do Calvário. Como diz Caio Fábio, muito mais do que 'recosturar o véu', frase cunhada pela poesia de João Alexandre, esse absurdo significa "pisar no sangue de Jesus". Vejam este vídeo e tirem suas próprias conclusões.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Que Evangelho vivemos?
Que Evangelho vivemos hoje? o Evangelho de sinais? O Evangelho que pavimenta o caminho da Teologia da Prosperidade? ou o Evangelho que reverbera os absurdos da Confissão Positiva? Que Evangelho temos vivido? que Evangelho temos seguido? que Evangelho, em última instância, tem permeado nossas caminhadas? Em uma de suas entrevistas, Caio Fábio destaca algumas aberrações que vêm tomando conta das igrejas, dos ensinos e, o que é pior, do coração de muitos irmãos.Segundo Caio, nos últimos anos, só para ficarmos em um exemplo, estimulado por alguns grupos musicais de repercussão nacional, um movimento contrário ao que preceitua o Novo Testamento vem ganhando corpo: o movimento dos Levitas. O cerne de sua atuação estaria atrelado ao renascimento da figura do sacerdote como intermediário, ponte e ligação entre Deus e a Igreja.
Na visão do reverendo, tal absurdo não implicaria apenas em “recosturar o véu”, mas, sim, “em pisar no sangue vertido por Jesus”. Na Bíblia, nós lemos: “mas Jesus, dando um grande brado, expirou. Então o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo” (Marcos 15:37 e 38). O que Caio Fábio quer dizer é que quando o véu foi rasgado, de alto a baixo, passamos a ter acesso direto ao Pai Celestial. “Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne” (Hebreus 10:19 a 20).
De forma muito clara, a Bíblia nos mostra que a ligação entre o homem e Deus foi restaurada. Jesus rasgou definitivamente o "véu" que nos deixava longe do Criador e, através do nome que é sobre todo o nome, voltamos a ter acesso direto ao Pai. Como, então, retrocedermos e voltarmos a depender de um intermediário sacerdotal? “Admitir levitas que falam em nome de Deus e recebem os clamores de seu povo significa retornar centenas de anos antes do nascimento de Cristo”, diz Fábio.
O fato, meus irmãos e irmãs, é que está cada vez mais comum observamos no seio de nossa querida Igreja Cristã práticas que se contrapõem ao chamado Evangelho primitivo, ao Evangelho de Jesus, ao Evangelho surgido no coração de Deus. Com o passar dos anos, esse Evangelho, tão claro, simples e objetivo, foi sendo violentado por toda sorte de desejos, sentimentos e aspirações humanas. Num cenário em que cada um puxa para o seu lado, foi se criando um monstro de inúmeras cabeças, que em nada lembra as boas novas que pregam a necessidade do arrependimento, da morte e do renascimento em Cristo Jesus.
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