“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26).Demorei muito para me libertar da errônea percepção de que eu não sabia orar. Não na concepção demonstrada por Romanos 8:26, é claro. Mas no sentido puramente estilístico, eloqüente, verborrágico.
Fustigado por um perfeccionismo latente, sempre sofri por não conseguir orar da mesma forma que alguns irmãos, pródigos em palavras e donos de uma fluidez lingüística invejável (mesmo não existindo inveja santa).
Graças a Deus, o tempo revela e nos cura de muitos males. Depois de muito sofrimento, percebi, finalmente, que o Pai Celestial está se lixando para palavras bonitas, frases de efeito e expressões empoladas.
O que O move é a sinceridade da oração. O que O enternece é o coração verdadeiramente contrito. O que O sensibiliza é o derramamento da alma.
Vencido esse padecimento desnecessário, hoje acho até engraçada a postura de muitos irmãos diante da oração. É incrível. Mas se prestarmos atenção notaremos que muitos oram rigorosamente da mesma forma. Utilizam a mesmas palavras, as mesmas expressões, os mesmos lugares-comuns.
Ainda não entenderam que orar é conversar com Deus.
Eu não converso com um colega de trabalho da mesma maneira que converso com minha mulher. Da mesma forma, o diálogo travado entre dois adultos não pode ser o mesmo estabelecido entre um adulto e uma criança. O foco não é o mesmo. A relação, também não. A intimidade, muito menos. Tampouco estão presentes os mesmos temas, inquietações ou argumentos.
Como, então, conversar com Deus sempre da mesma forma? A partir dos mesmos moldes, percorrendo os mesmos caminhos, visitando os mesmos cenários, reproduzindo as mesmíssimas experiências?
Graças a Deus, percebi que a oração não deve ser utilizada para colher admiração ou para impressionar quem quer que seja. Ela deve ser usada para buscarmos uma maior intimidade com o Pai, para conhecê-Lo cada vez mais e, de forma mais corriqueira, para que as nossas petições sejam ouvidas.
“...quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (Mateus 6:6).